Empoderamento Feminino e a Natureza: uma nova história!

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Natureza e feminino
Natureza e feminino

E finalmente chegamos no momento em que o empoderamento feminino e a Mãe Natureza não serão mais caladas. A partir de agora nada os para.

Estamos vivendo um momento onde a pauta do feminino, do seu papel e, principalmente, da sua proteção, é protagonista em diversas partes do mundo. E isso é incrível. Uma verdadeira virada de chave e o início da construção de uma nova história e uma nova sociedade.

De acordo com Harari (2015) as histórias são a base para nossa organização social, visto que constrói e comunica crenças em comum e, “a maneira como as pessoas cooperam pode ser alterada modificando-se os mitos – contando-se histórias diferentes” (Harari, 2015, p. 41).

O que estamos vivendo atualmente é o começo de uma nova história. E esse manifesto teve início há muitas gerações passadas. Temos que valorizar muito esse momento, que é a manifestação do sonho dos nossos ancestrais.

Este artigo busca discutir esse espetacular movimento com um olhar mais ampliado, de forma a retirar um pouco do foco da mulher, e relacionar o movimento com o feminino e com a Natureza.

Espero ter sucesso nesta empreitada e, com isso, trazer reflexões ao leitor no sentido de que, não se trata apenas da tão necessária criminalização da misoginia e combate ao feminicídio, mas da desconstrução da crença de que é possível se apropriar e controlar o que não é apropriável e nem controlável.

Desde tempos remotos o ser humano alimenta a crença de que ter poder é ter propriedade sobre a Natureza e sobre outros seres humanos. Almas humanas e da Natureza, se tornaram produtos negociáveis em função do capital e do ego.

O desdobramento desta crença, ao longo do tempo, foi a normalização de verdadeiras atrocidades como a escravidão, o racismo, o genocídio, a misoginia, a destruição do meio ambiente e a utilização da Natureza como se a mesma não tivesse alma. Na verdade, tal normalização passou a tratar os seres humanos como se estes não tivessem alma.

Desconstruir essa crença, é desconstruir um sistema gigantesco que vem movimentando a economia e a sociedade, ao longo da história. Como exemplo, em meados do século 18, em diversos lugares do continente africano o mercado de “cativos” (pessoas colocadas à venda no mercado de escravos) era a principal fonte econômica dos reinos. Eram transformadas em “cativas” as mulheres que se recusavam a se casar com o pretendente escolhido pelo pai, por exemplo.

Atualmente a crença de poder e propriedade ainda existe, porém vestida com roupas modernas. A proposta da crença de poder é o controle sobre tudo e todos. E a crença da propriedade é o anexo perfeito para o poder.

A questão é, o que realmente podemos possuir e controlar? E por quanto tempo?

Quando uma sociedade forja sua solidez nos principio de poder e controle sobre tudo e todos, lidar com aquilo que é cíclico (vida – morte – vida), é algo que a consciência tem dificuldade de conceber.

Mas podemos observar, que ao longo do tempo, a própria natureza humana se opõe a estes princípios de poder e controle. E ainda que haja aqueles que, com covardia e crueldade, tentem sustentar tais princípios, sempre existem movimentos contrários que, aos poucos retomam os seus postos de ter liberdade de agir, mudar, evoluir e de ser humano e natural.

Como exemplo, vamos citar a escravidão. É um fato que hoje ainda exista, porém com a repudia da maioria das pessoas. O mesmo acontece com o trabalho infantil, com a pedofilia, com o racismo, e agora com a misoginia.

O que a Natureza tem haver com isso?

A Natureza é o berço da vida. É o útero que fornece a possibilidade das sementes se tornarem árvores, e das árvores se tornarem florestas. A vida não para.

Se o fogo destrói, pouco tempo depois as primeiras folhas verdes voltam a surgir. Quando uma espécie desaparece, outras surgem em sua lugar, e melhor adaptadas às condições do meio. Quando um alimento desaparece, as espécies se adaptam para sobreviver de outra forma.

A natureza da Natureza é manifestar vida.

O feminino é como a Natureza. É a força e a potência da manifestação da vida. A sabedoria da Natureza é tão imensurável que não há morte que limite a vida.

Perceba que, na floresta, aquilo que perde sua função em vida, em morte vira adubo para gerar mais vida.

A misoginia, assim como todos os demais movimentos de poder e controle, é a tentativa de estagnar, controlar e matar a potência do feminino e, essa crença só serve à Natureza como adubo. Por isso, a cada um covarde que age, muitos e muitas se levantam para contarem outras histórias.

E quando o contraste salta aos olhos do mundo, ou seja, as histórias antigas deixam o patamar da normalidade, significa que as histórias que antigamente eram contadas não cabem mais na sociedade, e que as novas histórias estão construindo uma nova sociedade.

Se por um lado, essa construção e despertar eleva algumas pessoas a uma outra potência, por outro lado, infelizmente, a reação de covardes que não sustentam as novas histórias é violenta e sem limites.

É triste que tantos inocentes paguem com suas vidas porque outros tantos são incapazes de serem apenas humanos.

Então, para aqueles que despertaram, saibam que estamos no caminho certo, no caminho do vida e do que é naturalmente humano. Que sustentemos as novas histórias, e que construamos outras, sempre na direção de uma sociedade que tenha a humildade de olhar para a Natureza como aquela que ensina.

Não é apenas um movimento contra a misoginia, é o começo da construção de uma nova sociedade e uma nova forma de olhar a Natureza. Façamos a nossa parte! São as pequenas ações de hoje que contarão a nossa nova história.

Música da vez: Natasha Bedingfield – Unwritten (Tradução)

Bióloga Blanche Sousa Levenhagen

Especialista em Mudanças Climáticas, Projetos Sustentáveis e Mercado de Carbono – UFPR

Mestre em Sustentabilidade na Gestão Ambiental – USFCAR

Doutora em Turismo em Áreas Naturais – USP

Fone/whats: (11) 93432 3848

blanche@humanaterra.com.br / htmeioambiente@gmail.com

www.humanaterra.com.br

Este post tem um comentário

  1. arnaldo rodrigues

    Blanche, bom dia, às vezes demoro pra responder, pois demoro pra ler, mas essa pegada com o tema me fez criar uma história no feriado rsrsrs
    Temos visões sobre o passado, e nossa base é formada pelo que pensamos a partir do que nos contam, do que lemos, do que imaginamos, e provavelmente de muito mais. Mas este não é o espaço para teses, e sim para um bate-papo tranquilo, que traduz o relacionamento que mantenho com pessoas que oferecem textos interessantes e cativantes.
    Sempre tive dúvidas sobre a história, até mesmo daquela que, de alguma forma, ajudei a “existir”. Percebo que ela é contada de tantas maneiras diferentes que a mesma coisa se transforma o tempo todo. Não sei ao certo como é a história dos perdedores; eles morreram na guerra e, então, quem vence conta tudo à sua maneira. Depois de algum tempo, em uma realidade distante e diferente, interpretamos o que queremos e recontamos a história mais conveniente para aquele momento.
    As mulheres sempre me chamaram atenção. São metade da humanidade, e a outra metade saiu de dentro de uma mulher. Como podemos considerar normal alguém praticar brutalidades contra elas?
    De qualquer forma, precisamos ter clareza do momento em que vivemos. Tudo pode ser apenas propaganda, algo que nos faz acreditar que mudanças substanciais ocorrerão. Mas, sendo otimista, posso afirmar que já vi muitas transformações reais no comportamento humano. No entanto, de tempos em tempos, surgem guerras entre poderes que envolvem as pessoas, e os primeiros a ir para o front são homens jovens, enviados para morrer.
    Quem fica são mulheres, homens mais velhos e crianças. E, como sempre, uma elite observa de longe, sofrendo apenas pequenos respingos que ocasionalmente atrapalham seu percurso civilizatório.
    Depois das guerras, as mulheres são fundamentais na reconstrução de tudo. No entanto, passados alguns anos, voltam a ser tratadas como “alguém”, enquanto o poder retorna às mãos dos homens, ou de mulheres que, com pouca sensibilidade, não impulsionam mudanças reais.
    A natureza sempre nos ensina que o mundo não pertence à humanidade. Mas, sendo mais poéticos, podemos refletir que o mundo é das mulheres. Elas precisam, a todo custo, ajudar todos a compreender que somos iguais, ou quase iguais…
    Parabéns pelo texto. Ele mexe com muitos detalhes de cada um de nós, mulheres e homens. Obrigado pela postagem; esse bate-papo é um passeio pelo que pensamos sobre nossa própria construção.

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